A Prefeitura de Diadema (SP) decidiu investir R$ 85 mil para exibir a trilogia “De Volta para o Futuro” em telão na Praça Lauro Michels, no centro da cidade. O dinheiro sai do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura, que garante que tudo isso é para “democratizar o acesso ao cinema”. Mas, na prática, é um gasto alto para três noites de nostalgia, enquanto a cidade enfrenta problemas bem mais urgentes.
O custo cobre estrutura, som, segurança e logística, mas não deixa de ser uma bolada para mostrar filmes antigos. Se pelo menos duas mil pessoas comparecerem, cada ingresso simbólico sairia por R$ 42,50, se fosse cobrado — quase o preço de uma sessão em shopping. E o detalhe é que, mesmo quem não for assistir, acaba pagando a conta, já que o dinheiro vem do bolso de todos os moradores.
A ironia é clara: Marty McFly viaja no tempo para não desaparecer, mas o dinheiro público some rapidinho no presente. A Secretaria de Cultura defende que “é cultura para todos”, mas fica a dúvida se não seria melhor aplicar essa verba em áreas mais carentes da cidade.
No fim das contas, o cinema em Diadema promete diversão gratuita, mas deixa um gosto amargo de gasto pesado. Afinal, quando o contribuinte olha para o valor, a sensação é de que o verdadeiro espetáculo está nos números e não na tela.