O sonho da casa própria virou piada em São Paulo. O Minha Casa, Minha Vida, criado para dar moradia a quem precisa, acabou abastecendo o Airbnb com estúdios de 35 metros quadrados. Famílias que sonham com um lar ficam de fora, enquanto turistas aproveitam subsídios públicos para dormir barato em bairros centrais.
A prefeitura até tentou botar ordem na bagunça com um decreto proibindo aluguel temporário em imóveis de interesse social. Mas, como sempre, a esperteza corre mais rápido que a lei. Tem corretor dizendo que metade dos prédios populares já está no Airbnb. E tem investidor comprando 25 unidades de uma vez, como se fosse pacote de biscoito.
O resultado é um mercado imobiliário inflado, aluguel disparando e gente sendo empurrada cada vez mais para a periferia. Enquanto isso, o déficit habitacional só cresce: mais de 600 mil pessoas sem moradia adequada na Grande São Paulo. É o milagre da multiplicação dos estúdios que não abrigam ninguém.
E o mais irônico: só quem está na Faixa 1 do programa é obrigado a morar no imóvel. Nas faixas mais altas, o apartamento pode virar hotel sem problema. Ou seja, o dinheiro público financia o negócio privado. O nome continua sendo Minha Casa, Minha Vida, mas na prática virou Minha Renda, Minha Airbnb.
Fontes: BBC News Brasil, Prefeitura de São Paulo, Ministério Público de São Paulo, USP.