O aumento das tarifas de importação anunciado pelo Ministério da Fazenda é um tapa no bolso da população e um freio na indústria. O governo fala em proteger produção nacional, mas na prática só quer arrecadar R$ 14 bilhões para tapar buraco nas contas. O resultado imediato é celular mais caro, eletrodoméstico mais salgado e máquina industrial fora do alcance de quem precisa investir.
O discurso de defesa da indústria não se sustenta. O Brasil não tem cadeia completa para fabricar smartphones ou equipamentos de ponta, apenas montagem dependente de peças importadas. Ao encarecer bens de consumo e de capital, o governo protege a ineficiência e trava a modernização das fábricas, deixando o país cada vez mais atrasado.
No fim das contas, tarifa é imposto com outro nome. Quem paga é o consumidor, que vê preços subirem, e o empresário, que perde competitividade. O governo ganha fôlego fiscal por um ano, mas o custo é difuso e pesado. É uma medida imediatista, sem visão de futuro, que sacrifica o progresso em troca de arrecadação rápida.