O déficit habitacional na Região Metropolitana de São Paulo continua sendo um dos maiores desafios urbanos do país. Estimativas recentes apontam que faltam mais de 600 mil moradias na Grande São Paulo, dentro de um quadro estadual que supera 1 milhão de unidades. Na capital, o número varia entre 358 mil e 369 mil, abrangendo famílias em coabitação, habitações precárias e aquelas que comprometem grande parte da renda com aluguel.
A fila por programas habitacionais também revela a dimensão do problema. Em 2025, cerca de 170 mil pessoas aguardavam atendimento, com maior concentração de pedidos em Guarulhos e na cidade de São Paulo. Esse cenário mostra que a demanda por moradia popular cresce mais rápido do que a capacidade de resposta das políticas públicas, ampliando a pressão sobre famílias de baixa renda.
Além da falta de unidades, o contraste imobiliário chama atenção. Enquanto milhões vivem em favelas ou áreas sem infraestrutura adequada, a capital paulista registra milhares de imóveis ociosos ou desocupados. Essa contradição expõe a necessidade de políticas que articulem produção habitacional, aproveitamento de imóveis vazios e regulação do mercado, para reduzir o déficit e garantir o direito à moradia digna.
Para atender à demanda de mais de 600 mil moradias na região, o poder público teria de investir valores próximos a R$ 90 bilhões, considerando um custo médio de R$ 150 mil por unidade habitacional popular (Planilhas de Obra). Os principais entraves para alcançar esse objetivo incluem a escassez de financiamento público, a burocracia nos processos de desapropriação e regularização fundiária, além da falta de integração entre políticas habitacionais e de infraestrutura urbana. Segundo especialistas no setor, sem superar essas barreiras, o déficit tende a se perpetuar, ampliando desigualdades sociais e urbanas na metrópole.