Quando chegou aos Estados Unidos há mais de 25 anos, o engenheiro Luiz Eduardo Rosas sabia que enfrentaria choques culturais, mas não imaginava a intensidade. “Nós não sabemos quando estamos fazendo algo errado, se a gente não vê aquilo como errado”, relembra. Desde hábitos domésticos até a forma de se vestir para o trabalho, tudo exigiu adaptação.
Na época, trabalhava na Cabletron Systems, fabricante de equipamentos de rede, atendendo empresas brasileiras. O fato de já conhecer colegas facilitou sua transição. “Eu fui transferido, então já conhecia muitos dos meus colegas e isso sempre ajuda”, conta. Com o tempo, construiu vínculos que se tornaram fundamentais para sua permanência no país.
Mesmo após deixar a Cabletron, Rosas seguiu carreira em empresas como Aruba Networks e IBM, até chegar à HPE Networking, onde hoje é gerente de tecnologia de segurança digital. Foi nesse cargo que percebeu como sua habilidade de comunicação e relacionamento poderia ser aplicada em processos de cibersegurança.
Um exemplo claro foi a forma como passou a conduzir o programa de bug bounty da empresa. Em vez de tratar os pesquisadores de segurança como anônimos, decidiu dar visibilidade a quem descobria falhas. “Todo software vai ter algum problema e, se não estamos atentos, isso vira uma vulnerabilidade”, explica.
Ao reportar vulnerabilidades aos clientes, ele passou a incluir o nome do profissional responsável pela descoberta. Essa atitude simples abriu portas para os pesquisadores, que passaram a ser mais requisitados, além de poderem dar palestras e workshops sobre seus trabalhos.
O reconhecimento também trouxe benefícios para a HPE. A empresa ganhou em qualidade, já que fidelizou talentos e fortaleceu a transparência nas comunicações com clientes. “O que fizemos foi parar para entender o mindset desses trabalhadores, o que eles querem, o que gostam”, afirma.

Segundo o executivo da empresa, cuidar do networking significa olhar para todos os relacionamentos, não apenas os corporativos. O contato constante permitiu criar confiança e melhorar a entrega dos serviços. “A transparência não é só com o cliente, mas com eles também”, destaca.
Hoje, o que começou como iniciativa individual virou sistema dentro da HPE. Rosas acredita que o hábito brasileiro de questionar foi decisivo para essa mudança. “Acredito que o brasileiro está mais acostumado com esse desconforto e aqui a gente usa ele como um recurso”, diz.
Para o executivo, a experiência de adaptação cultural se transformou em filosofia de liderança. O reconhecimento e a criação de vínculos, que o ajudaram a se integrar nos Estados Unidos, agora fortalecem o ecossistema de segurança digital em escala global.
Afinal, o que é um "CTO"?
Luiz Eduardo ocupa o cargo de Chief Technology Officer (CTO) de Segurança na HPE Aruba Networking, posição que o coloca como responsável por definir estratégias e liderar iniciativas voltadas à proteção digital da empresa. Na prática, ele coordena equipes e projetos que garantem que produtos, serviços e sistemas internos sejam confiáveis e resistentes a ataques.
Entre suas áreas de atuação estão o Product Trust and Assurance, que assegura a segurança dos produtos; o Services Trust and Assurance, voltado para os serviços oferecidos; o Enterprise Security, que protege a própria empresa; e o Aruba Threat Labs, laboratório dedicado a pesquisar novas ameaças digitais. Em resumo, Luiz Eduardo lidera a frente de segurança da HPE, unindo tecnologia e confiança para proteger clientes e fortalecer o ecossistema de cibersegurança.