Offline
MENU
Projeto fixa idade mínima nas redes sociais
Deputado Renan Ferreirinha propõe que menores de 16 anos sejam proibidos de criar contas em plataformas de acesso aberto no Brasil
Por Redação Rádio Mosquito Show
Publicado em 06/02/2026 08:02
Geral
Arquivo/Rádio Mosquito Show

O deputado federal Renan Ferreirinha (PSD-RJ) protocolou nesta quinta-feira, 5, um projeto de lei que estabelece a idade mínima de 16 anos para o uso de redes sociais no Brasil.

A proposta cria a categoria de “rede social de acesso aberto” e determina que provedores de tecnologia não permitam a criação ou manutenção de contas individuais por crianças e adolescentes abaixo dessa faixa etária. “Largar uma criança na rede social é como deixá-la sozinha na rua à noite. Ela está exposta a crimes, violência, conteúdo sexual, golpes e assuntos inapropriados para a idade”, afirmou o parlamentar.

O texto prevê prazo de seis meses para adaptação das plataformas, que deverão adotar mecanismos de identificação e suspender ou excluir contas já existentes operadas por menores de 16 anos.

A medida não criminaliza famílias ou adolescentes, mas transfere a responsabilidade para agentes econômicos de grande porte. Para outros serviços digitais, como ambientes escolares, plataformas educacionais, WhatsApp e jogos online, permanece a exigência de vinculação à conta de um responsável legal, em conformidade com o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente.

Ferreirinha, que foi relator da lei que proibiu celulares em escolas, destaca que o objetivo é enfrentar riscos como cyberbullying, exposição a conteúdos violentos ou sexualizados, aliciamento e impactos negativos sobre a saúde mental. “Vários estudos apontam relação direta entre o uso desregulado das redes e o aumento de transtornos mentais em crianças e adolescentes. Já passou da hora de a gente enfrentar essa situação. Rede social hoje é terra sem lei para as crianças e adolescentes”, reforçou.

A iniciativa acompanha uma tendência internacional. A Austrália já aprovou legislação que fixa a idade mínima de 16 anos para uso de redes sociais e, desde sua entrada em vigor, plataformas foram obrigadas a bloquear milhões de contas de menores, segundo o órgão regulador de segurança eletrônica do país.

O governo australiano justificou a medida como forma de reduzir riscos à saúde mental e à exposição de crianças a conteúdos nocivos, e os resultados iniciais indicam uma queda significativa no acesso precoce às redes. Outros países, como Espanha, França e Malásia, discutem medidas semelhantes, e o Brasil busca alinhar-se a essas práticas globais de proteção digital.

Apesar dos avanços, especialistas apontam que a medida pode não surtir o efeito esperado. Muitos adolescentes conseguem burlar sistemas de verificação de idade usando dados falsos ou contas de terceiros, o que reduz a eficácia prática da proibição.

Além disso, há quem defenda que o foco deveria estar em políticas de educação digital e no fortalecimento da supervisão parental, em vez de apenas restringir o acesso.

Para esses críticos, sem uma estratégia integrada que envolva escolas, famílias e plataformas, a lei corre o risco de se tornar mais simbólica do que efetiva, sem resolver de fato os problemas de exposição precoce e insegurança no ambiente digital. (Com informações da Revista Veja)

Comentários
Comentário enviado com sucesso!